Avanços em incretinas: novas medicações para obesidade em 2025
- Dr Pedro Melo
- 16 de jan.
- 2 min de leitura
Os agonistas de incretinas — como semaglutida, tirzepatida e novas combinações — estão transformando o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
As pesquisas mais recentes, publicadas na Nature Reviews Endocrinology (Müller, 2026), mostram que os novos medicamentos incretínicos prometem maior eficácia, melhor controle metabólico e alternativas orais mais acessíveis.

O que são incretinas e por que elas são importantes?
As incretinas são hormônios intestinais liberados após as refeições, como o GLP-1 e o GIP. Eles estimulam a secreção de insulina, reduzem o apetite e melhoram o metabolismo da glicose.
Os medicamentos que atuam nesses receptores têm se mostrado eficazes não só no controle glicêmico, mas também na redução significativa do peso corporal.
Principais avanços em 2025 nas terapias incretínicas
De acordo com o artigo da revista Nature, 2025 foi um marco para os medicamentos baseados em incretinas:
1. Tirzepatida (10–15 mg) gerou maior perda de peso que semaglutida 2,4 mg em pacientes com obesidade sem diabetes tipo 2.
2. Semaglutida 7,2 mg promoveu 3,1% mais perda de peso, embora com efeitos gastrointestinais ligeiramente maiores.
3. CagriSema (cagrilintida + semaglutida) atingiu perdas de peso semelhantes à tirzepatida, mas também mais desconforto gástrico.
4. MariTide, uma nova molécula experimental, proporcionou redução de peso acima de 10%, exigindo estudos adicionais sobre tolerabilidade.
5. Orforglipron, o primeiro agonista oral não peptídico, mostrou boa eficácia e pode representar uma opção custo-efetiva para quem prefere evitar injeções.
Benefícios além do emagrecimento: proteção cardiovascular e metabólica
Os medicamentos incretínicos não se limitam à perda de peso. Diversos estudos mostram benefícios cardiovasculares e metabólicos, com redução de eventos cardíacos e melhora em marcadores inflamatórios.
• (Marso et al., 2016) mostrou que a semaglutida reduz eventos cardiovasculares em pacientes com diabetes tipo 2.
• (Frias et al., 2021) demonstrou que a tirzepatida promove perda de peso superior e melhora do controle glicêmico comparada à semaglutida.
Essas evidências reforçam o potencial das incretinas como terapia metabólica integral, atuando na obesidade, no diabetes e na saúde cardiovascular.
O futuro das terapias com incretinas
O principal desafio agora é aumentar a tolerância e reduzir efeitos gastrointestinais, mantendo os resultados impressionantes de perda de peso.
Com a chegada de versões orais como o orforglipron, espera-se uma maior adesão dos pacientes e redução nos custos do tratamento — um passo importante para ampliar o acesso à terapia incretínica.
Com tantas opções e novas combinações em estudo, o endocrinologista é essencial para orientar o uso adequado dessas terapias, monitorar efeitos adversos e garantir uma abordagem personalizada.
Esses avanços representam uma nova era no tratamento da obesidade, com foco na restauração da saúde metabólica e não apenas na balança.
Referência:
• Müller, T. D. (2026). Advances in incretin-based drug discovery in 2025. Nature Reviews Endocrinology, 22, 68–69.

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